"O café, com seu aroma fascinante, encanta muita gente. Mas, seu caráter marcante não o impede de se combinar perfeitamente com outros ingredientes e assim nascem combinações infinitas. Quem nunca se deparou com a pergunta: “Como você prefere seu café?” " Por Antônio Nogueira via I Could Kill For Dessert // Postado por Amanda Soares Espresso, passado em papel ou coador de pano? Versátil, ele muda dependendo da forma que é feito. Quanto aos aditivos na preparação, eu gosto de colocar canela em pó juntamente com o café no coador de pano. Mas existem outros cheiros que gosto de combinar.
Dica: Ao adicionar especiarias doces ao seu café, além de te trazer benefícios e nutrientes (como tanto falo nos posts de especiarias), faz você reduzir a quantidade de açúcar no seu café. Aplique este método de dar sabor e remover açúcar em outras receitas nas quais o açúcar tem apenas a função de adoçar.
A comida não é o centro da história, mas está no centro da mesa fazendo a história acontecer.A crônica do escritor e jornalista Fernando Sabino guiou meu olhar para o significado de uma simples e rudimentar fatia de bolo. Talvez não tão atrativa para aqueles que tem condições de pagar por algo mais "glacerizado" e montado por camadas pomposas de recheio saltando pelas bordas, a fatia minguada foi a protagonista de um dos mais felizes dias de uma garotinha e de sua família. O último pedaço de bolo, triangular e amarelo-escuro, como descrito por Sabino, foi nada menos do que o bolo de aniversário do pontinho de união da família.
A última crônica
Fernando
Sabino
A
caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao
balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva
me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas
recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da
convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao
episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer
nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples
espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a
cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança:
"assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que
merecem uma crônica.
Ao fundo
do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção
de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de
seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se
instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os
olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno
à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém,
que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a
observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão
um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel,
vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher
suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua
presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás
do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo
simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A
negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho
que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três,
pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na
bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de
uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um
animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três
velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do
bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as
velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e
sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos:
"parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as
duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com
ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se
convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila,
ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num
sorriso.
Assim eu
quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Texto
extraído do livro "A Companheira de Viagem", Editora do Autor - Rio
de Janeiro, 1965, pg. 174.
Devoradora insaciável de comidas confortantes,caseiras, quentinhas, fofinhas e que derretem na boca, desde os primeiros Natais de vida tinha que ficar me repreendendo ,a cada segundo - referente a curta e trágica vida do panetone- para não acabar sozinha com a gordelícia que mamãe, sorrateiramente, leva para casa no Natal.
Ter irmãos significa ser ameaçada pela ideia constante de repartir o pão, no caso, as saborosas fatias nuveais de panetone que nunca saciam o Karma daqueles que vieram de berço com o olho maior do que a barriga.
Fatias grandes, gordas, suculentas, incrustadas de frutinhas doces, que triplicam imediatamente essas qualidades quando passam para o prato dos outros. Mas, daí não resta mais nada a fazer do que lamuriar pela fatia perdida,"Isso não é justo! Você pegou um pedaço maior do que o meu! ". É o Natal de pecados.
Jurava que aquele milagre de massa do panetone só podia ser uma receita super secreta mantida a sete chaves, e metralhadoras, por alguma família da máfia italiana. Ou, que existia alguma passagem da bíblia, desconhecida pelos leigos como eu, ordenando que o panetone devia ser saboreado só no Natal, em razão de suas propriedades exclusivamente sagradas e ,contraditoriamente, causadoras do vício e aliciadoras do pecado.
A receita reunindo ingredientes dados a Deus e ao Diabo, talvez só seja replicada no Natal para colocar á prova ,nesse período de tantas reflexões, aqueles que apesar da gula incontestável e tentadora, se mantem fortes e pagam pelos seus pecados. Aprendendo no sacrifício a dividir o pão da santa ceia.
Entretanto,chegou-se a um ponto que as tentativas de me auto convencer da periodicidade do panetone passaram a não ser mais suficientes para amenizam minha vontade pulsante de encontrar um único exemplar escondidinho nas prateleiras do supermercado.Sobrevivente ao olhar aguçado daqueles que ,como eu, nutrem o desejo clandestino de cortar o panetone.
A grande expectativa do toque que afunda a mão , digno do desvendável movimento de tan tan tan taaaan da quinta sinfonia de Bethoven, é o sinal de que não tem mais saída, ou se come o bendito panetone, ou o devora. É o momento em que a cozinha estala em expectativa, existem só o panetone a a família e a promessa. Por um minuto o mundo exterior fica suspenso no tempo, o que importa é a atmosfera de contemplação e o vivenciar dos sentidos embaralhados.
Em defesa de mais momentos prazerosos de união, que causem brigas pelo maior pedaço e tornem mais comum instantes mágicos de ceia de Natal, os que realmente vamos lembrar para sempre e rir de nós mesmos por te-los vivido, por momentos de simples e pura felicidade, que me dediquei a buscar a melhor receita caseira de panetone. Assim, a usual expectativa de abrir o presente será somada as nossas destrezas na cozinha, o que torna o momento de união ainda mais interessante, apetitoso e prazeroso.
Deixo o link da receita mais entendível e elaborada que encontrei. A verdade é que não reproduzi ainda para comprovar se dá certo, mas já posso imaginar o meu primeiro panetone saindo do forno. Desejo mais panetones que tragam momentos panetone pelo ano todo. Um Feliz Natal de Pecados! Em que é natural não aceitar dividir.
Não há quem não conheça essa delícia popular. O tradicional pão com salsicha corre o mundo com diferentes receitas e conquista muitos paladares.
Por Amanda Soares
É uma união simples e que agrada multidões. Pão com salsicha, seja em molho, grelhada, assada ou refogada. A versão norte-americana - o famoso hot dog - é a mais difundida por aí: pão sovado com salsicha sequinha, mostarda e muito catchup. Esses são os seus ingredientes básicos, mas ele pode vir acompanhado com cebola picada, picles em conserva, chucrute (que é uma conserva de repolho, geralmente tem sabor azedinho) e chili (pasta de feijão com carne moída, receita tipicamente mexicana); além de batatas fritas à parte.
Típico cachorro quente norte-americano, em sua versão mais básica. Foto: (www.superchefs.com.br)
Segundo o post do blog Viver nos EUA, há receitas diversificadas também dentro dos próprios Estados Unidos. "O estado que possui mais variações em receitas de cachorro quente é Nova Jersey e demais estados possuem receitas diversificadas que chegam a ser estranhas, entre elas o chamado tater-pig do estado de Montana, esse hot dog é feito com uma salsicha dentro de uma batata cozida ao invés de pão e como acompanhamento usa-se creme azedo (sour cream), cebolinhas e bacon!"
Existe também a versão alemã de cachorro quente, que é bastante peculiar quanto à sua aparência. Usa-se um pequeno pãozinho como "apoio" para uma salsicha gigante!, que é do tipo Wiener (vienense), super comum nos países germânicos. O blog De Volta à Nave Mãe publicou um post em que detalha as especificidades dos cachorros quentes dessa região, desmistificando-os.
Cachorro quente na Alemanha. Foto: Ivana Ebel, blog De Volta à Nave Mãe.
"Outra versão popular na Alemanha é a receita do cachorro-quente dinamarquês, vendido na rede sueca Ikea. (...) Na Áustria há um Hot Dog bem peculiar. Uma máquina com um cilindro metálico fura o pão em sentido longitudinal e no buraco vai a salsicha." Falando em Dinamarca, o canal no YouTube do blog Gastronomismo mostra, no vídeo abaixo, como fazer um cachorro quente dinamarquês de dar água na boca. A salsicha é grelhada e unida com molho remolado (misturinha feita com maionese, mostarda, catchup, sumo de limão, cebola crua, salsinha picada e páprica), cebola crocante e picles.
No Brasil, um país tão extenso e cheio de culturas variadas, o pão com salsicha também recebe diferentes formas de ser feito. Aqui em Goiás, bem como em Minas Gerais, o mais usual é fazê-lo com salsicha inteira ou corta em rodelinhas imersas em molho de tomate super temperadinho. Quanto mais molhadinho, melhor! Na montagem, milho verde e batata palha são essenciais. Já em São Paulo ele é comumente servido com purê de batatas e carne moída. No Pernambuco, a salsicha é dispensada e só o pão com carne moída também é chamado de cachorro quente.
O mais interessante quando procuramos uma receita de cachorro quente para fazer ou um bom lugar para comprá-lo pronto, é priorizar a qualidade dos ingredientes, pois este é um fator muito importante no sabor final do prato. Por fim, é só se deliciar. Aqui "no Goiás", vale se lambuzar e lamber os dedos no final. Sinal de que estava maravilhoso! :P
Não era apenas o fato dele ser o melhor pão do mundo, era o pão da minha avó. E não era só o pão, era todo o mistério em torno dele que me intrigava quando criança. Ela me contava histórias desde o cultivo do trigo à descoberta da fermentação, sobre como os primeiros pães eram trabalhados, moldados e assados. Uma aula sobre a fabulosa e milenar tríade base: farinha de trigo, água e sal. Os densos pães de minha avó refletiam um tanto de sua personalidade, tão cheios de segredos e truques que só ela parecia saber. O universo se abria dentro de sua cozinha quando eu a observava se deleitar dentre os pães. Com movimentos certeiros minha avó sovava as massas elásticas, acrescentava em alguns pães gordura, em outros especiarias inusitadas.
Sua sabedoria parecia ser depositada, com tanto cuidado, em cada pão que fazia. Modelando-os, ela me dizia: “Cecília, o pão é um tradição. Você deve ter muito compromisso na hora de prepará-lo.”. Eu, ainda bem pequena, não entendia o peso histórico dos pães, mas desde cedo cresci entendendo que era coisa séria.
Os fotógrafos Peter Menzel e Faith D’Aluisio viajaram o
mundo documentando o que as famílias comem. As imagens são impressionantes
A compra de supermercado de uma família em Luxemburgo, na
Europa, pode custar cerca de 500 vezes mais que a de uma no Chade, na África. A
constatação lamentável está documentada nas fotos de Peter Menzel e Faith
D’Aluisio, que viajaram o mundo clicando o que as pessoas comem.
As imagens são impressionantes não só pela desigualdade
social evidente, mas também pelo aspecto cultural, por exemplo, o tipo de
alimentos que é consumido por cada família. Chama a atenção, do mesmo modo, a
diferença na aquisição de produtos industrializados. A família norte americana
os consome bem mais que a turca ou a francesa.
Já na mesa da família australiana há o visível contraste
entre a quantidade de carne e os outros tipos de alimentos em comparação com a
família butanesa, que praticamente tem só vegetais e frutas na compra. Observe
a quantidade enorme de garrafas de Coca-Cola na mesa da família mexicana.
Os resultados da pesquisa dos dois fotógrafos estão no livro
Hungry Planet (Planeta Faminto).
França. Família Le Moines. Custo total: $419.95 dólares Groelândia. Família Madsens. Custo total: 277.12 dólares
Luxemburgo. Família Kuttan-Kasses. Custo total: 465.84 dólares
Guatemala. Família Mendozas. Custo total: 75.70 dólares
Noruega. Família Glad Ostensen. Custo total: 731.71 dólares
Butão. Família Namgay. Custo total: 5.03 dólares
Mongólia. Família Batsuuri. Custo total: 40.02 dólares
Estados Unidos. Família Caven. Custo total: 159.18 dólares
Equador. Família Ayme. Custo total: 31.55 dólares
Egito. Família Ahmed. Custo total: 68.53 dólares
Polônia. Família Sobczynscy. Custo total: 151.27 dólares
China. Família Dong. Custo total: 155.06 dólares
México. Família Casales. Custo total: 189.09 dólares
Noruega. Família Ottersland Dahl. Custo total: 379.41 dólares
Alemanha. Família Sturm. Custo total: 325.81 dólares
Turquia. Família Celiks. Custo: 145.88 dólares Canadá. Família Melansons. Custo total: 345 dólares Mali. Família Natomos. Custo total: 26.39 dólares Estados Unidos. Família Fernandezes. Custo total: 242.48 dólares Índia. Família Patkars. Custo total: 39.27 dólares Australia. Família Browns. Custo total: 376.45 dólares Grã-Bretanha. Família Bainton. Custo total: 253.15 dólares Estados Unidos. Família Revis. Custo total: 341.98 dólares
Chade. Família Aboubakar. Custo total: 1.23 dólar
Kuwait. Família Al Haggan. Custo total: 221.45 dólares Itália. Família Manzo. Custo total: 260.11 dólares Japão. Família Ukita. Custo total: 317.25 dólares
Trabalho de formiguinha. Acordar três horas da manhã, lotar o carro com a família, a mercadoria e juntar forças para montar a barraca, porque hoje é dia de feira! Para atrair o freguês, além do alimento fresquinho e dos preço bom, também conta o carisma, que é o que não falta para os feirantes do setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia, na tradicional feirinha de domingo.
É engraçado, mas enquanto meu amigo e eu nos contorcíamos para fotografar em melhores ângulos e cenários, os feirantes mesmo imersos na pressa da multidão e na típica rixa gritada - anunciando a queda dos preços na hora da chepa - eram atenciosos e gostavam que parássemos para bater um papo.
A ideia de fotografar as relações sociais fomentadas pelos caminhos da comida na feira foi bem recebida, e muita gente - a quem eu agradeço imensamente a boa vontade- mesmo cismada, e com reservas de timidez, deixou-se eternizar pelo clique da câmera. “Ah, os meus filhos na faculdade também já fizeram esse tipo de trabalho, sei como é”, diziam alguns.
Quando estava quase no fim da feira, terminando, percebi que muitos feirantes e fregueses, com quem eu não tinha conversado ainda, já sabiam do que se tratava o meu trabalho e me recebiam como velhos conhecidos. A fala de Luciano, feirante a três anos na feira do Garavelo, diz tudo: “Em dia de feira somos uma família, as notícias rolam soltas por aqui! ” E fica o convite agendado para as manhãs de domingo : "Voltem mais vezes pra gente conversar mais !!!” É claro que volto!
Agradecimento carinhoso ao meu amigo Matheus Dutra, como estudante do curso de economia da UFG também se revelou um propício jornalista.
Galeria Hoje é dia de feira
Feira setor Garavelo em Aparecida de Goiânia - Goiás Brasil