terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Preguiça e macarrão, combinação perfeita

Por Amanda Soares

Créditos da imagem: Pinterest.com

É noite, você está em casa sozinho e bate aqueeela fominha antes de dormir. Por estar economizando a grana do mês, pensa duas vezes antes de discar o número da pizzaria que já sabe de cor. Apesar da comodidade de apenas receber o entregador e abrir a embalagem quentinha para saborear a delícia em fatias, resolve comer o que tem na geladeira mesmo.

Vai até ela e encontra um monte de coisas que, na sua cabeça, não fazem sentido nenhum juntas. Ovos, iogurte, catchup, um queijo velho e restos de comida da semana passada. Essa é a típica geladeira de um universitário que mora longe da casa dos pais e nunca tem tempo - nem disposição - para cozinhar algo em casa...

Se você não gosta nem se interessa pela arte de cozinhar, precisa experimentar! Vai se encantar ao descobrir o quanto é prazeroso e gratificante comer uma comidinha que você mesmo preparou. Que tal começar hoje mesmo? Vou te ensinar uma receitinha super gostosa e prática, de encher os olhos e deixar a barriguinha feliz! :D Ela é perfeita para quem está começando a cozinhar e não sabe o que fazer.

Quem já tem o costume de "frequentar o fogão" sabe que não há nada mais delicioso e rápido que um macarrãozinho bem feito. Ele é um ingrediente coringa, que não pode faltar na sua prateleira. A variação de combinações é infinita, só depende da sua criatividade e gosto. O que ensino hoje é um que minha mãe ama fazer, principalmente naquelas noites de preguicinha. Você só vai precisar de um utensílio específico: panela de pressão!

 MACARRÃO DE PANELA DE PRESSÃO

Ingredientes: 

*A quantidade que desejar de macarrão (dê preferência ao fusilli, aquele em formato "parafuso")
*A mesma medida do macarrão, em água e em molho de tomate (ex.: 1 xícara de macarrão = 1 xícara de água + 1 xícara de molho de tomate)
*Uma caixinha de creme de leite
*Presunto e muçarela à gosto
*Um tablete de caldo de galinha, ou outro sabor que você preferir.

Como fazer:

Coloque todos os ingredientes na panela de pressão, exceto o presunto e a muçarela. A água tem que estar fria e o macarrão, cru. Misture tudo e tampe a panela. Assim que ela pegar pressão (fazer aquele chiadinho), abaixe o fogo e conte quatro minutos. Depois disso, desligue o fogo e espere a pressão sair da panela naturalmente. Abra a panela e acrescente o presunto e a muçarela. Se preferir, pode adicionar outros ingredientes, como palmito, azeitonas, milho verde, ervilhas, etc. Solte a imaginação e crie o seu sabor.

Prontinho! Tenho certeza que você vai ser conquistado pela praticidade e gostosura desta receita.

Aproveite! :P

 


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ensaio Fotográfico: "Mesas"

Por Amanda Soares


Uma mesa, por mais comum que seja, é muito mais do que apenas uma superfície que serve de apoio em uma sala ou cozinha. Ela é essencial para a o bom funcionamento de uma casa, seja na cozinha bagunçada durante o preparo de uma refeição ou na sala de jantar - que constitui o centro da casa e recebe quilos de tralhas vindas da rua todos os dias, as compras do mês, as chaves do carro, livros a ler e contas a pagar. A mesa precisa ser vista com outros olhos, pois, quando decorada, muda um ambiente por completo. 





   
Neste ensaio, a simplicidade de toalhas de mesa e texturas são exploradas de forma a demonstrar o quanto esse objeto é importante e imponente em sua pureza. Não é preciso muita modernidade para que a beleza de uma mesa se destaque. Além do seu papel fundamental em uma família: a união e a comunhão que acontecem durante um almoço, lanche ou jantar. É por meio da mesa que a manutenção dos relacionamentos é feita dia a dia. Que saibamos aproveitá-la e absorver sua subjetividade.



 






Créditos de todas as fotos: Amanda Soares Cunha



sábado, 13 de fevereiro de 2016

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Projeto reúne vídeos de receitas de avós pelo mundo



Por Amanda França

Quando fiquei sabendo sobre o projeto Grandmas logo fui procurar mais informações para postar aqui no Cozinha Redação.São iniciativas como essas que o blog defende e busca publicar. 

As receitas de nossas avós, assim como o hábito de cozinhar precisam ser conservados, pois fomentam a importância de se saber a procedência dos alimentos. O que modifica a perspectiva de toda uma sociedade que vive nas escuras quando o assunto é realmente saber o que se come.

Projetos como o Grandmas são sementes de formação de um público mais rigoroso na escolha dos alimentos, pois fazem questionar a lógica de se pensar na comida somente como algo para se colocar no prato em determinados momentos do dia, e estimula a reflexão das relações preciosas do alimento com a sustentabilidade, a geração de emprego e a saúde. 

O projeto investe na busca dos laços dos pratos preparados pelas vovós com a cultura e história de cada uma, o que nos aproxima afetivamente das memórias da infância e nos faz puxar na lembrança os momentos de trabalho árduo das cozinheiras de família, entrelaçando a comida a nossa história de vida.

Site oficial do Grandmas Project   http://grandmasproject.org/


    Notícia Publicada na revista  Gosto sobre o que é o projeto 






Projeto reúne vídeos de receitas de avós pelo mundo


Um dos momentos mais felizes que a gastronomia proporciona não diz respeito a restaurantes caros ou pratos demasiadamente elaborados.

Em alguns momentos, tudo o que se quer é a comida caseira, conhecida, com gosto reconfortante e repleta de memória afetiva.
Normalmente, receitas e gosto pela culinária se passam de geração para geração. As avós têm papel importante nesse rito, responsáveis que são por repassar tradições de décadas para a atualidade.
Ensinam e propagam conhecimento que move e sustenta a gastronomia: o amor por cozinhar e comer.
É com o objetivo de registrar, em vídeo, essas verdadeiras manifestações culturais, que o produtor e cineasta francês Jonas Parienté  conseguiu, via financiamento coletivo (21 mil dólares pelo Kickstarter), alcançar o valor necessário para iniciar seu projeto, em 2015, chamado Grandmas Project.
Com apoio da Unesco, o “Grandmas” já conta com 3 episódios. Dentre eles, um que chama a atenção é o que mostra dona Rosa, avó de origem libanesa do diretor franco-brasileiro Mathias Mangin. No cardápio, deliciosos charutos de folha de uva.
Parienté pretende gravar 30 episódios, nos mais diversos países. O roteiro segue sempre o mesmo enredo: filmar a avó e sua respectiva receita, em, no máximo, 8 minutos.
Uma ferramenta bacana disponibilizada pelo cineasta permite que qualquer pessoa se inscreva no SITE OFICIAL para participar e gravar seu próprio vídeo.
Aqui, o LINK para o canal no Youtube.

Abaixo, o episódio dedicado à avó Rosa Maluf, gravado no Brasil:


              Este é da avó francesa Mamie Yoda, com sua receita de “Eggnog”:
                                      
               A avó Nano cozinha uma receita chamada “Molokheya”:

                                          
                     
grandmasproject





quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Cheiros no Café

"O café, com seu aroma fascinante, encanta muita gente. Mas, seu caráter marcante não o impede de se combinar perfeitamente com outros ingredientes e assim nascem combinações infinitas. Quem nunca se deparou com a pergunta: “Como você prefere seu café?” "

Por Antônio Nogueira via I Could Kill For Dessert // Postado por Amanda Soares

Espresso, passado em papel ou coador de pano? Versátil, ele muda dependendo da forma que é feito. Quanto aos aditivos na preparação, eu gosto de colocar canela em pó juntamente com o café no coador de pano. Mas existem outros cheiros que gosto de combinar.


Dica: Ao adicionar especiarias doces ao seu café, além de te trazer benefícios e nutrientes (como tanto falo nos posts de especiarias), faz você reduzir a quantidade de açúcar no seu café. Aplique este método de dar sabor e remover açúcar em outras receitas nas quais o açúcar tem apenas a função de adoçar.

Gif por Your Coffee Guru/Tumblr


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A Última Fatia de Bolo em " A Última Crônica" de Fernando Sabino

 Postado por Amanda França

A comida não é o centro da história, mas está no centro da mesa fazendo a história acontecer.A crônica do escritor e jornalista Fernando Sabino guiou meu olhar para o significado de uma simples e rudimentar fatia de bolo.

Talvez não tão atrativa para aqueles que tem condições de pagar por algo mais "glacerizado" e montado por camadas pomposas de recheio saltando pelas bordas, a fatia minguada foi a protagonista de um dos mais felizes dias de uma garotinha e de sua família. O último pedaço de bolo, triangular e amarelo-escuro, como descrito por Sabino, foi nada menos do que o bolo de aniversário do pontinho de união da família.

                               




                                                   A última crônica




     Fernando Sabino


A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.

A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. 

Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. 

A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Texto extraído do livro "A Companheira de Viagem", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pg. 174.

http://www.releituras.com/i_samuel_fsabino.asp