Postado por Amanda Soares / Escrito por Jéssica Giovanini via I Could Kill For Dessert
Não era apenas o fato dele ser o melhor pão do mundo, era o pão da minha avó. E não era só o pão, era todo o mistério em torno dele que me intrigava quando criança. Ela me contava histórias desde o cultivo do trigo à descoberta da fermentação, sobre como os primeiros pães eram trabalhados, moldados e assados. Uma aula sobre a fabulosa e milenar tríade base: farinha de trigo, água e sal.
Os densos pães de minha avó refletiam um tanto de sua personalidade, tão cheios de segredos e truques que só ela parecia saber. O universo se abria dentro de sua cozinha quando eu a observava se deleitar dentre os pães. Com movimentos certeiros minha avó sovava as massas elásticas, acrescentava em alguns pães gordura, em outros especiarias inusitadas.
Sua sabedoria parecia ser depositada, com tanto cuidado, em cada pão que fazia. Modelando-os, ela me dizia: “Cecília, o pão é um tradição. Você deve ter muito compromisso na hora de prepará-lo.”. Eu, ainda bem pequena, não entendia o peso histórico dos pães, mas desde cedo cresci entendendo que era coisa séria.

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