Por Amanda Soares
Desde pequena, assistia minha mãe cozinhando e me encantava com aquilo. Quanto mais os anos passavam, mais eu me envolvia. O envolvimento era tanto, que as limitações de ser uma criança pareciam não existir para mim. Mamãe nunca me repreendeu, sempre incentivou meu gosto pela cozinha, e com isso passei a me sentir mais livre nela. Certo dia, com nove anos de idade e olhando minha irmã quatro anos mais nova, resolvi fritar ovo para nós duas comermos assistindo à novelinha. Peguei a frigideira, acendi a chama, quebrei os ovos com facilidade e salguei-os. Bem nessa hora, o comercial da novela acabou... Abandonei a frigideira na chama acesa, e simplesmente me esqueci dela. Talvez porque minha mente de criança ainda não assimilasse aquilo com um perigo...
Por sorte, minha mãe, que estava na casa da minha avó, ao lado da nossa, logo chegou. No pouco tempo que ficamos sozinhas, eu quase coloquei fogo na casa. Lembro-me de minha mãe gritando isso com todas as suas forças quando entrou pela sala. A casa inteira cheirava a gás de cozinha, enquanto eu e minha irmã estávamos tranquilamente hipnotizadas em frente à tevê. Mamãe gosta muito de contar este causo para as pessoas que hoje provam da minha comida e a elogiam. Assim como a minha avó conta - incansavelmente - que, uma vez, minha mãe colocou bicarbonato de sódio no arroz pensando que fosse sal. O panelão de arroz que alimentaria uma família de quinze pessoas no almoço, teve que ser jogado fora; estava incomível.
Como tudo na vida, não começamos nada com perfeição. Os anos e os erros nos fazem aprender a maneira certa de tudo, ou pelo menos a melhor para nós, mesmo que seja errada para outra pessoa. Para quem insiste em dizer que cozinha não foi feita pra si, lanço aqui um desafio: tente! Se você não iniciou uma "jornada culinária" enquanto criança ou na adolescência, ainda é tempo. Mesmo que não haja a chama do amor flamejando em seu coração, a juventude do aprendizado arde dentro de nós até o último dia de nossas vidas.
Seja para ir a um bom restaurante típico ou comer pastel numa barraquinha de feira, me disponho a experimentar sabores novos todos os dias. É um prazer para mim, e quero compartilhá-lo com vocês, leitores. Hoje estudo jornalismo e cozinho quando estou com vontade de comer algo diferente, mas por que não unir minhas duas paixões? Encontrei aqui o lugar. Espero que o Cozinha Redação aproxime a visão e o paladar de forma agradável. Para se comer com os olhos e ler sentindo o gostinho.
Sejam bem-vindos!
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